Fundadores e Principais Colaboradores

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FUNDADOR E PRINCIPAIS colaboradores

 

                               FUNDADOR: ANTONIO GARCIA FILHO                   

              UM HOMEM DE MUITAS GENERALIDADES E GENIALIDADES

Garcia (2).jpgAntonio Garcia Filho nasceu na cidade de Rosário do Catete, Sergipe, em 29 de maio de 1916, filho de Antonio Garcia Sobrinho e Antonia Menezes Garcia. Faleceu em Aracaju no dia 22 de junho de 1999.
Estudou no Colégio Tobias Barreto do Professor Zezinho Cardoso (José de Alencar Cardoso) e no Atheneu Sergipense, tendo, em seguida, prestado vestibular para a Faculdade de Medicina da Bahia, situada no Terreiro de Jesus, em Salvador, onde ingressou em 1936. Foi Presidente do Diretório dos Estudantes daquela escola e participou, como cantor, de programas na Rádio Sociedade da Bahia. Colou grau na turma de 1941 e retornou a Sergipe. Trabalhou em Aracaju como médico da Leste Brasileira e nessa época residia em Laranjeiras, onde atuava como clínico geral.


VereadorAntonioGarcia1948.jpgEm 1945, mudou-se para Aracaju, onde foi clínico geral, tendo trabalhado no Hospital Santa Izabel, nosocômio do qual foi Diretor Clínico. Foi clínico geral e anestesiologista do Hospital de Cirurgia. Estagiou no Serviço de Anestesia do Hospital dos Servidores do Estado no Rio de Janeiro e introduziu em Sergipe a anestesia com intubação traqueal, permitindo maior segurança ao ato cirúrgico.
Foi membro e Presidente da Liga Universitária Católica (LUC), do Lions Clube Atalaia e da Associação Sergipana de Imprensa. Dirigiu os jornais Correio de Aracaju e Gazeta Socialista. Pertenceu ao Partido Socialista Brasileiro pelo qual foi eleito vereador na cidade de Aracaju (foto acima). Colaborou com diversos jornais locais (O Nordeste, Correio da Manhã, Correio de Aracaju, Gazeta Socialista e A Cruzada). Escreveu para a Revista da Academia Sergipana de Letras e para o jornal literário Letras Sergipanas, sendo responsável por muitas edições destes veículos. Presidiu o Conselho Estadual de Cultura. Ajudou a fundar, em Sergipe, a Sociedade de Cultura Franco-Brasileira (“Alliance Française”), de cujo Comitê foi Presidente. Foi eleito orador oficial do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe e foi Presidente de Honra do Clube de Imprensa, Rádio, Letras e Artes Plásticas de Sergipe.
Na sua gestão como Secretário de Estado, fundou, na cidade de São Cristóvão, o Museu Histórico de Sergipe, obra que contou com o decisivo empenho do jornalista Junot Silveira, à época Secretário Particular do Governador Luiz Garcia.
Ocupou a cadeira de número 1 da Academia Sergipana de Letras patroneada pelo intelectual Tobias Barreto de Menezes, tendo sido Presidente deste sodalício por 12 anos consecutivos. Fundou o Movimento de Apoio Cultural, hoje denominado de Movimento de Apoio Cultural “Antonio Garcia Filho” (MAC) com o intuito de reunir vocações literárias em torno da Academia de Letras. Fundou com outros intelectuais (Freire Ribeiro, Pires Wynne, Clodoaldo de Alencar, Josué Silva, Mangueira), o Clube Sergipano de Poesia, entidade que esteve ativa durante a década de 1960. Pertenceu ao grupo musical “Velha Guarda” ao lado dos violonistas Carnera (Urscino Fontes de Araújo Góes), João Pires Argolo, João Moreira, Carvalhal (José Carvalho) e Macepa, compondo com Dão, Morais, Jacy Menezes e outros, o grupo dos cantores. Foi membro do grupo coral Madrigal da Universidade Federal de Sergipe.
É autor das letras dos hinos da cidade de Rosário do Catete e do 28o. Batalhão de Caçadores (atualmente Batalhão Campo Grande), este em parceria com o Gal. Graciliano (Cazuza). Compôs “Aracaju uma Estrela”, música vencedora do concurso “Uma Canção para Aracaju”, promovido pela Prefeitura Municipal na gestão do Prefeito Cleovansóstenes Pereira de Aguiar. Entre suas principais composições musicais estão: “Injustiçada”, gravada por Alcides Gerardi, “A Pesca do Aratu”, “A Pesca do Massunim”, “Samba de São João” e “Uma Estrela Cruza o Meu Caminho”. Musicou letras de poetas sergipanos como Freire Ribeiro (“Crescente Lunar”), José Sampaio (“Najara”) e Garcia Rosa (“Amália”).
Foi orador de destacada habilidade retórica. Escreveu discursos e uma peça de teatro chamada “Um Pensamento na Praça”, cujo nome foi depois usado como título de um dos seus livros. Publicou trabalhos científicos em revistas especializadas e o livro “A Reabilitação em Sergipe”, no qual enfoca a criação, os propósitos e o funcionamento do Centro de Reabilitação “Ninota Garcia”, terceira ou quarta instituição do gênero fundada no Brasil.
Foi Presidente da Sociedade Médica de Sergipe (SOMESE) (1960 a 1962) e um dos fundadores Conselho Regional de Medicina deste Estado, tendo sido vice-presidente da 1a. Diretoria Provisória, em 1958. Ainda neste mesmo ano, foi Presidente da 2a. Diretoria Provisória desta entidade.
Esteve entre os fundadores da UNIMED, Singular de Sergipe, e no “site” desta entidade pode-se ler:
“Vinte pessoas era o número exigido para se criar uma cooperativa e naquela memorável noite, na sede da Sociedade Médica de Sergipe (SOMESE), seus fundadores assinaram a histórica ata. Registre-se um fato notável: a presença de dois médicos consagrados, professores da Faculdade de Medicina, que acreditaram nas idéias do cooperativismo e emprestaram os seus nomes para o prestígio da entidade. São eles: Antonio Garcia Filho e José Maria Rodrigues Santos.
A presença deles nesse movimento, entretanto, não era de se surpreender. Garcia e Zé Maria sempre tiveram posições de vanguarda na sociedade médica de Sergipe. A participação dos dois no grupo fundador, sem dúvida, reforçou a criação da Singular.”

Foi o primeiro Pró-Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da Universidade Federal de Sergipe na administração do Reitor José Aloísio de Campos (1976–1980), sendo um dos fundadores do Festival de Arte de São Cristóvão e do Encontro Cultural de Laranjeiras.
Ensinou Nutrição na Faculdade de Serviço Social, foi o primeiro professor de Bioquímica da Faculdade de Medicina de Sergipe e o primeiro professor de Anestesiologia da Universidade Federal de Sergipe.
Foi o primeiro e único Secretário de Educação, Cultura e Saúde do Estado de Sergipe, cargo que ocupou no Governo do Dr. Luiz Garcia (1959–1962).
Fundou a Faculdade de Medicina de Sergipe, da qual foi o primeiro Diretor por oito anos consecutivos.Fundou oCentro de Reabilitação “Ninota Garcia” e o dirigiu por mais de 10 anos. Esta instituição prestou relevantes serviços à população do estado.
Participou da fundação da Sociedade de Anestesiologia do Estado de Sergipe (SAESE).
Foi um dos principais líderes para a criação da Universidade Federal de Sergipe.
Recebeu várias homenagens, comendas, distinções e títulos, dentre as quais aquela prestada pela Secretaria da Educação (gestão do Dr. Marcos Aurélio Prado Dias, 3o Governo do Dr. João Alves Filho), denominando de Centro de Treinamento para Professores “Antonio Garcia Filho” o órgão estadual responsável pela reciclagem de docentes da rede pública estadual.
Por suas ações, recebeu da Universidade Federal de Sergipe o honroso Título de Professor Emérito.

(Garcia, Eduardo Antonio Conde. “Antonio Garcia Filho e a Faculdade de Medicina de Sergipe, criador e criatura”. Aracaju : SERCORE  Artes Gráficas, 2008)

PRINCIPAIS COLABORADORES

BENJAMIN ALVES DE CARVALHO – nasceu em 20 de setembro de 1904, em Rio Real/BA, filho de Bento Alves de Carvalho e de Stael Souza Dantas. Formou-se pela Faculdade de Medicina da Bahia em 27 de dezembro de 1927. Participou da Revolução Constitucionalista de 1932 atendendo convocação do interventor Maynard Gomes. Especializou-se em dermatologia e urologia. Dirigiu o Hospital de Cirurgia em 1945. Foi Deputado Estadual pela UDN e Secretário da Saúde no governo Leandro Maciel. Em 1953, ao lado de Augusto Leite, Garcia Moreno, Juliano Simões, Basílio Amaral e Felte Bezerra, compôs a primeira diretoria da Sociedade Civil Mantenedora Faculdade de Medicina, na condição de 1º Secretário, destacando-se para a fundação da Faculdade de Medicina de Sergipe, que somente aconteceria em 1961. Lecionou a disciplina de História da Medicina. Manteve-se sempre muito ligado ao Hospital de Cirurgia, voltando à sua direção em 1963. Presidiu o Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. Faleceu em 29 de setembro de 1995, em Aracaju, com 91 anos. É patrono da cadeira quatro da Academia Sergipana de Medicina.

LOURIVAL BOMFIM – nasceu em 22 de outubro de 1909, em Aracaju/SE, filho de Serafim Bomfim e Antonia Rosa de Melo. Pai do Dr. Wollmer Bomfim. Como acadêmico, estagiou com o Prof. Martagão Gesteira, pediatra de renome e com sólida formação em bacteriologia. Com ele aprendeu a manipular, em laboratório, o Mycobacterium tuberculosis ou bacilo de Koch, agente etiológico da tuberculose humana. Daí nasceu o seu interesse pela Tisiologia. Graduou-se pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1934. Atuou em Capela atendendo como clínico geral em 1935, transferindo-se logo em seguida para Aracaju. Foi radiologista dos hospitais de Cirurgia e Santa Isabel. Trabalhou no serviço de Radiologia e Tisiologia da Secretaria de Estado da Saúde e foi médico clínico da Fábrica Confiança. Foi um dos fundadores da Faculdade de Medicina de Sergipe, onde lecionou a disciplina de biofísica. Em 1966, juntamente com Antonio Garcia e Volmer Bomfim, fez Curso de Aperfeiçoamento para Professores no Departamento de Bioquímica da Universidade Federal de Pernambuco onde estudou com os Profs. Drs. Gilberto Guimarães Villela, Metry Bacila, Henrique Tastaldi, Marcionílio Lins e Tripolli Gaudensi. Teve forte atuação nas primeiras pesquisas no campo do meio ambiente em nosso Estado, com trabalhos nas áreas de piscosidade dos nossos rios, preservação dos manguezais, poluição dos rios e mares pelo petróleo. Inventor e cientista, dedicou-se a vários trabalhos de pesquisa na área médica e do meio ambiente. Teve seu currículo analisado pelas Nações Unidas e seu nome indicado para participar do I Fórum Mundial sobre Meio Ambiente, realizado em Estocolmo, na Suécia. Foi uma das primeiras vozes mundiais a alertar sobre o efeito estufa e aquecimento global. Principal mentor da criação da ADEMA na década de 1970, exerceu as funções de membro do Conselho de Controle da Poluição das Águas, membro do Conselho do Meio Ambiente. Consultor permanente para assuntos científicos na área de Meio Ambiente.. Inventor, construiu equipamentos que tiveram utilidade nas aulas práticas do curso de Biofísica, destacando-se entre eles o manômetro LB. Cientista, dedicou-se a vários trabalhos de pesquisa na área médica, tais como a ativação da virulência do bacilo de Koch pela interação com o vírus da raiva. Nesta mesma linha de investigação, estudou o recrudescimento da agressividade do tumor de Walker transplantado para ratos Wistar. Em Sergipe, foi pioneiro no estudo da rejeição de órgãos, justo quando, no mundo, estavam sendo iniciados os transplantes. Naquela época, já Lourival Bomfim pesquisava na Faculdade de Medicina, acompanhado por seus alunos mais próximos entre os quais Eduardo Garcia, a parabiose em ratos irradiados. O objetivo era entender a possível contribuição que as radiações ionizantes, à semelhança dos Raios X, poderiam trazer para minimizar o processo de rejeição de tecidos biológicos transplantados. Faleceu em Aracaju em 15 de agosto de 1996, com 87 anos.

FERNANDO SAMPAIO - nasceu em 22 de agosto de 1916, em Riachuelo/SE, primeiro filho de Álvaro de Oliveira Sampaio e Thalia de Oliveira Sampaio. Formou-se pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, em 14 de dezembro de 1940. Especializou-se em cirurgia na Faculdade de Medicina de São Paulo e fez curso de aperfeiçoamento em cirurgia torácica na Universidade de Michigan, Ann Arbor, USA (1958), quando se iniciava a era das cirurgias cardíacas com circulação externa. Membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões. Trabalhou durante toda a sua vida profissional no Hospital de Cirurgia, em Aracaju, onde foi diretor de 1952 a 1961. Presidiu a Sociedade Médica de Sergipe de 1962 a 1964. Foi um dos fundadores da Faculdade de Medicina de Sergipe. Foi Professor Titular da disciplina de Cirurgia Geral e Chefe do Departamento de Cirurgia e Diretor da Faculdade de Medicina da UFS da mesma Faculdade. Recebeu o título de Professor Emérito da UFS em 31 de maio de 1979. Foi homenageado "post mortem" pela Prefeitura Municipal de Aracaju, dando o seu nome a uma rua situada no Jardim Atlântico, Bairro de Atalaia. Também o Governo Estadual lhe prestou homenagem criando o Centro de Saúde Dr. Fernando Sampaio, no Conjunto Castelo Branco. Também leva o seu nome o Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas Dr. Augusto Leite, bem como o Centro de Estudos e Auditório da Fundação São Lucas, o maior complexo médico privado do Estado. Faleceu no dia 25 de outubro de 1979, com 63 anos.

JOÃO BAPTISTA PEREZ GARCIA MORENO - nasceu em 12 de dezembro de 1910, em Laranjeiras/SE, filho de Pedro Garcia Moreno e D. Maria Ambrosina Brandão Moreno. Formou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade da Bahia em 1933. Escritor e professor. Dedicou-se à psiquiatria dirigindo o Hospital Colônia Eronides Carvalho, criado e inaugurado em 1940. Publicou: “Esquema de Trabalho” (1940); “Eletroconvulsoterapia” (1943); “A propósito da Insulinoterapia” (1943); “Seguro Doença” (1945), “Aspectos do maconhismo em Sergipe” (1946); “Penicilinoterapia na demência paralítica” (1947). “O Sexo da Maconha” (1948); “Letras Vencidas” (1955); “Cajueiro dos Papagaios” (1959);  “Doce Província” (1960); “Temas de Medicina Legal” (1960).  Era membro da Academia Sergipana de Letras, onde ingressou em 1942. Em 1944 participou da fundação do Centro de Estudos Econômicos e Sociais de Sergipe. No magistério destacou-se na Congregação do Atheneu Sergipense. Foi um dos idealizadores da Faculdade de Medicina de Sergipe, lançando a sua semente em 1953. Professor de psiquiatria na Faculdade de Medicina, onde foi diretor e de Medicina Legal da Faculdade de Direito. Vice Reitor da Universidade Federal de Sergipe. Patrono da Academia Sergipana de Medicina. Faleceu em 22 de outubro de 1976, em Aracaju, com 65 anos.   

LAURO DE BRITTO PORTO – nasceu em 18 de agosto de 1911, em Nossa Senhora das Dores/SE, filho do Cel.Francisco de Souza Porto e Laura de Brito Porto. Seu pai foi importante comerciante e político influente. Foi deputado estadual e Presidente da Assembléia, Governador em exercício, Prefeito da Capital, Governador eleito e não empossado por força da revolução de 30. Nesta época, Lauro cursava a Faculdade de Medicina da Bahia e regressou de imediato a Aracaju para apoiar o pai. Regressando a Salvador, na Revolução  Constitucionalista de 32, levanta em rebelião, juntamente com outros colegas, a Faculdade de Medicina e é preso por 2 dias na Penitenciária de Salvador pelo interventor Juracy Magalhães. Formou-se em 1935. Retorna a Aracaju onde atua na área de oftalmologia e otorrinolaringologia. Em 1938 faz especialização no Hospital São Francisco no Rio de Janeiro e anos depois em São Paulo, na Escola Paulista de Medicina. Regressando a Sergipe atua no Hospital de Cirurgia, ao lado do grande amigo Augusto Leite e assume a direção do Hospital por várias vezes sempre com um forte espírito empreendedor. Um dos fundadores da Faculdade de Medicina, assumindo a cadeira de otorrinolaringologia e oftalmologia. Membro fundador da Academia Sergipana de Medicina, onde ocupou a cadeira de número 16, que tem como patrono o Dr. Hercílio Cruz. Faleceu em 30 de outubro de 2010, em Aracaju, com 99 anos.