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Prefácio
Luiz Antônio Barreto
Jornalista e escritor

Armindo Guaraná (1848-1924) foi colaborador único e eficiente de Augusto Vitorino Alves Sacramento Blake, médico, Cirurgião do Corpo de Saúde do Exército (Bahia 1827-Rio de Janeiro 1903) ,na elaboração de verbetes biográficos de figuras sergipanas, para o Dicionário Bibliográfico Brasileiro, composto em 7 volumes, o primeiro publicado no Rio de Janeiro em 1883 e o último em 1902. A obra de Sacramento Blake, reeditada em 1970 pelo Conselho Federal de Cultura, é um monumento essencial à cultura brasileira, pelo registro das biografias das figuras mais ilustres do cenário nacional.

Nenhum outro dicionário, dentre muitos que circulam desde o século XIX, conquistou a fortuna crítica do livro de Sacramento Blake. Armindo Guaraná utilizou-se do modelo de Sacramento Blake de elaboração dos verbetes, selecionando para biografar a elite bem formada: militares de altas patentes, bacharéis, médicos, engenheiros, e alguns jornalistas e artistas que entram, complementarmente, no seu igualmente monumental Dicionário Biobibliográfico Sergipano, editado postumamente (Rio de Janeiro: Pongetti, 1925) por Prado Sampaio e Epifânio Dória, sob os auspícios do Governo Graccho Cardoso.

Atento ao desenvolvimento intelectual de Sergipe e ele próprio um dos destacados intelectuais, Armindo Guaraná eleva sua terra a um ponto destacado, revelando traços significativos de um grande grupo de homens e mulheres ilustrados, apresentando-os ao País, cada um com seu repertório de produção literária e científica, arrancadas, muitas vezes, das páginas dos jornais ou dos muitos livros, concorrendo para fixar a vocação sergipana para pátria de filósofos e de intelectuais, no dizer dos críticos do século XIX, em alusão ao grande número de luminares nascidos em Sergipe.

Através do Dicionário Biobibliográfico Sergipano a tradição de inteligência, comprovada pela militância cultural de Tobias Barreto, Silvio Romero, Fausto Cardoso, Gumercindo Bessa, Martinho Garcez, João Ribeiro, Manoel Bonfim, Felisbelo Freire, Gilberto Amado, Jackson de Figueiredo e por muitos outros, conota a história mental de Sergipe. A grandeza intelectual suplanta a pequenez territorial, a autonomia do pensamento rompe com a submissão e a dependência que a história impôs, no curso do tempo. O mostruário de Armindo Guaraná glorifica a diversidade intelectual dos sergipanos, entre aqueles que formaram, até o início do século XX, uma elite. Muitos médicos estão no rol das biografias , como exemplares distantes de formarem uma corporação sagrada, como nos tempos de Asclepius ou Esculápio, o príncipe médico, filho de Apolo e que a mitologia o fez Deus da Medicina, mas como Luiz Antônio Barreto Jornalista e escritor Dicionário (biográfico) de Médicos homens de ciência, conciliando a arte de curar com a velha mentalidade que as doenças eram, ainda em certa medida, castigos divinos. O médico libertou a ciência dos preceitos religiosos, dos chefes, dos reis, dos heróis e sobretudo dos padres, tornando-a um instrumento dos avanços, conquistas e evoluções, presente no contexto social como ferramenta da saúde pública. É certo que a medicina atual conta com um arsenal terapêutico, com instrumental e tecnologia desconhecidos da maioria dos médicos que foram, em suas comunidades, agentes de saúde, tratando corpo e anima, muitas vezes sem diagnósticos, mas com o lume da formação acadêmica aclarando o cotidiano do trabalho.

A iniciativa de organizar um registro biográfico dos médicos que atuaram em Sergipe, ao longo do tempo, tem todos os merecimentos, como trabalho diligente, cuidadoso, vencendo a precariedade dos arquivos, a falta de um guia de fontes e até de simples informações. Certamente não foi tarefa fácil levantar, um a um, os dados que compõem as biografias do Dicionário Biográfico de Médicos de Sergipe. Ao final da pesquisa, Antônio Samarone de Santana, Lúcio Antônio Prado Dias e Petrônio Andrade Gomes, como autores que souberam estabelecer uma sintonia fina na pesquisa e na elaboração dos textos, oferecem a Sergipe e ao Brasil um quadro abrangente da medicina, exercida por homens e mulheres, na capital e no interior, responsáveis pelo controle sanitário, e bem estar da população, através de uma clínica múltipla, que em alguns casos beirava o sacerdócio. Os verbetes são corretos, precisos, padronizados com informes básicos, comuns a todos os biografados, fotos da maioria dos médicos, como convém a obras do tipo, cada vez mais requeridas como referências, sem as quais ficará cada dia mais difícil recuperar a fragmentária história da Medicina em Sergipe. Evidentemente que alguns dos médicos biografados têm suas vidas desdobradas em atividades igualmente relevantes, nas quais conquistaram o reconhecimento público. Foram políticos, na articulação e no cumprimento de mandatos, foram administradores, professores, pensadores engajados nas lutas mais justas, empresários, guardando, contudo, fidelidade ao ideal médico. Há, no Dicionário Biográfico de Médicos de Sergipe, profissionais que chegaram em Sergipe, procedentes de outros lugares e que se adaptaram e passaram a integrar a sociedade sergipana, abraçando as causas locais, dando uma contribuição digna de todos os aplausos. Um bom exemplo é o de Domingos Guedes Cabral, médico baiano, que censurado pelo tema de sua tese doutoral na Faculdade de Medicina da Bahia, recolhe-se a Laranjeiras, em Sergipe, onde passa oito anos de fecunda atividade, ao lado de Felisbelo Freire, o clínico que se tornou líder republicano, governou o Estado e escreveu uma História de Sergipe (Rio de Janeiro: Perseverança, 1891, Vozes, 1977 – 2ª edição). Parte dos médicos dicionarizados teve formação na velha escola de Medicina da Bahia, outros, em grande número, já estudaram na Faculdade de Medicina de Sergipe, fundada graças ao esforço de alguns homens públicos e profissionais da saúde, como Luiz Garcia, governador do Estado (1958-1962), e Antônio Garcia Filho, médico, então Secretário de Educação, Cultura e Saúde, e mais tarde incorporada à Universidade Federal de Sergipe (1967).

A Medicina, com suas especialidades, suas clínicas, hospitais, campanhas e mobilizações sua Academia aparece nitidamente no trabalho assinado por Antônio Samarone de Santana, Lúcio Antônio Prado Dias e Petrônio Andrade Gomes, ainda que o objetivo dos autores tenha sido a organização de biografias de médicos. Tais autores têm, reconhecidamente, contribuições importantes para a história da medicina em Sergipe. Antônio Samarone de Santana estudou as temidas “febres do Aracaju”, produzindo um trabalho científico e acadêmico (dissertação de mestrado) que é referência no Estado e nos meios especializados do País. Lúcio Antônio Prado Dias tem sido, no cotidiano da mídia, um divulgador qualificado da ciência médica, com reflexões pertinentes, como tem sabido ser um agente aglutinador dos interesses médicos. Petrônio Andrade Gomes é guardião de acervos dos mais relevantes para a história da ciência, em todo o mundo, e um colecionador atento das publicações locais. Eis, portanto, um livro para figurar na estante sergipana das bibliotecas públicas e particulares, com sua abrangência, utilidade, leveza, e conteúdo extraordinário de valorização profissional, com a assinatura de três representantes da nova geração de médicos sergipanos. Há quem diga que a cultura humana começa com o nome de cada pessoa, identificação que carrega pelo tempo afora, pela qual será reconhecida na construção da história. Um dicionário é sempre uma identidade coletiva, sensível às circunstâncias que cercam cada biografia.

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