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JOSÉ RIBEIRO DO BOMFIM

Por Lúcio Antonio Prado Dias
 
Chegou-me pelas mãos do seu neto, o cirurgião Roberto Maurício Ribeiro, um exemplar do  livro REMINISCÊNCIAS DE UM ÓRFÃO, de autoria de José Ribeiro do Bonfim, escrito em 1978 e editado pela APEC Editora S.A, do Rio de Janeiro. Trata-se de obra rara, que traz fatos da história de nossa Medicina, tão carente de memória.

“Não se trata de obra literária nem de ficção, de um escritor versado em literatura”, reconhece ele, na apresentação da obra. Mas é uma ´”história verdadeira vivida e sentida por um órfão, vítima das cruezas da natureza”.

É a história de um homem humilde, que de boleeiro de bonde puxado a burro nas ruas de Aracaju, tornou-se enfermeiro de centro-cirúrgico e posteriormente operador de RX, homem de confiança do Dr.Augusto Leite, que em “Palavras de Cirurgião” a ele assim se referiu: “...esse José Ribeiro, que veio de lá, conosco, e , ainda hoje se revela insuperável na dedicação a esta Casa, com suas aptidões singulares que o teriam feito um grande médico, se a Providência lhe tivesse aparelhado, fora de Sergipe, um caminho largo e apropriado ao seu espírito.”

José Ribeiro conheceu o Hospital Santa Isabel por volta de 1910 e com ele teve uma cumplicidade singular. Primeiro como paciente, por diversas vezes fora internado para tratamento médico e conheceu aquele que seria o seu grande mestre. “ Não me era estranho o Hospital Santa Isabel. Já havia freqüentado a enfermaria São Jorge inúmeras vezes, como também, não me era desconhecido o Dr.Augusto Leite. Fora meu médico várias vezes e vezes diversas sentei naquela histórica mesa para ele me curar as úlceras”.

José Ribeiro do Bonfim e sua esposa.
 
Naquela época os hospitais se ressentiam de pessoal capacitado para a enfermagem. Não havia escola de enfermagem. Em 1914, a Sociedade da Cruz Vermelha Brasileiro, criou o Curso de Enfermeiras Voluntárias, que só admitia mulheres. Somente 2 anos após, foi criada a Escola de Enfermeiros. E foi em 1916 que José Ribeiro foi convidado por Dr.Augusto  para assumir o cargo de enfermeiro. Passou a assistir as operações de Dr.Augusto e a realizar os primeiros curativos, pacientemente orientado pela Irmã Joana. Naquela época, não existia um ambiente cirúrgico nos hospitais de Aracaju, com cuidados de assepsia, água encanada, o antibiótico até então conhecido era a vacina antipiogênica. José Ribeiro, que mal sabia ler e escrever, superou todas as dificuldades com tenacidade, esforço desumano e em pouco tempo obteve a confiança do cirurgião e toda a equipe do Hospital. No livro, Ribeiro conta, de forma dramática, como era feito o tratamento de pacientes com osteomielite, dos pós-operatórios de cirurgias mutiladoras, de lapotomias feitas com colocação de gelo na cavidade, sem nenhuma esterilização.

Quando do rompimento do Dr.Augusto Leite com o Conselho de Administração do Hospital Santa Isabel e sua conseqüente retirada do nosocômio, em 1922, Ribeiro continuou sendo o auxiliar direto do cirurgião e em 1926, com a inauguração do Hospital de Cirurgia, no Governo de Graccho Cardoso, mudou-se definitivamente para o novo hospital, agora sim Sergipe possuía um “ambiente cirúrgico”. Iniciou seu trabalho ao lado das irmãs Úrsula, Clara, Bernardina, Berarda, Jolenta, Amália e Theodata. Todas verdadeiras batalhadoras, que com amor e dedicação, contribuíam de forma inconteste para o desenvolvimento da instituição.

A criação da Escola de Auxiliares de Enfermagem, menina dos olhos de Augusto Leite, passou a formar técnicos preparados e devidamente habilitados para o exercício da profissão. Acabava-se o tempo para José Ribeiro do Bonfim. Mas não a necessidade de novos desafios. De enfermeiro para operador de Raios X, lá estava o nosso herói, com suor e determinação. Conviveu com João Firpo, Ranulfo Prata, Lourival Bomfim e Clóvis Conceição. Deixou pois a enfermagem com a certeza do dever cumprido e com a consciência tranqüila do dever cumprido. Deu à causa da enfermagem tudo que teve para dar: a mocidade, o corpo e a alma.

De fato, o que encontra em “Reminiscências de um órfão”, é uma seqüência de lutas e sofrimentos vividos pelo autor que, sem a experiência própria das pessoas letradas, conseguiu transportar para o papel, lições de ternura,lealdade e humildade.

 

(*)da Academia Sergipana de Medicina

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